Está na hora de mudar...

 

Com o crescente volume de negócios em escala mundial e a imensa quantidade de produtos transportados diariamente, aumenta também a quantidade de lixo gerado e de materiais que precisam ser mandados de volta à sua origem. Esse tráfego de produtos no sentido contrário da cadeia de produção normal (dos clientes em direção às indústrias) precisa ser tratado adequadamente. É o que chamamos de logística reversa.


O fenômeno consiste na destinação correta dos resíduos e vem crescendo em função das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos. O aumento da consciência ecológica dos consumidores tem gerado ações por parte de algumas empresas, que visam comunicar ao público uma imagem institucional "ecologicamente correta". E o fato de optarem pela logística reversa, mostra que elas estão comprometidas com as questões ambientais.


Além de uma boa imagem perante a sociedade, as iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos econômicos para as empresas. Para o ambiente, os ganhos são incalculáveis, visto que com a aplicação da logística reversa há redução considerável de resíduos em aterros e lixões, além de diminuição nos níveis de poluição dos solos e dos recursos hídricos. Com isso, a sociedade tem menos lixo, menos poluição e mais saúde. Afinal de contas, o ser humano também faz parte do ambiente.


A Logística Reversa tem sido abordada de forma consistente pela Europa desde 1991, quando a Alemanha editou a primeira lei que veio tratar do tema. Essa lei não foi aplicada somente aos fabricantes, mas a todos os participantes da cadeia direta dos produtos, incluindo os distribuidores e varejistas. Como resultado da legislação, houve um índice de 86% de reciclagem sobre todas as embalagens em 1997.


Outro exemplo ocorre nos Estados Unidos, onde se estima que os custos logísticos totais representem 10,7% do PIB (Produto Interno Bruto), sendo a logística reversa responsável de 3 a 4%. Para alguns setores como o de distribuição de livros e CDs, a taxa de retorno de mercadorias chega a patamares entre 20 e 30%.


Infelizmente, no Brasil o panorama é bem diferente. Apenas dois setores produtivos avançaram significativamente na política de logística reversa: o sistema envolvendo embalagens de agrotóxicos, um dos primeiros a aderir à logística reversa; e o setor de embalagens plásticas de óleos lubrificantes. Ainda este ano, o governo pretende organizar a implantação da logística reversa para medicamentos.


Recentemente, os empresários do setor de transformação do plástico capixaba conheceram o acordo setorial para a implantação do sistema de logística reversa para embalagens pós-consumo de produtos não perigosos. O acordo não é obrigatório, mas é um ponto inicial para que empresas participantes do Sindicato da Indústria de Material Plástico aqui do Estado implantem o sistema.


A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isto se reflete no pequeno número de empresas que tem gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos engatinhando nesse assunto.


Para o panorama mudar, são necessárias leis mais rígidas, que obriguem realmente as empresas produtoras a um comprometimento com essa responsabilidade, independente do custo que esse processo acarrete. E, é claro, cabe a nós darmos preferência às empresas que praticam a Logística Reversa.

 

Fernanda L. Bergamin - Membro da Câmara de Meio Ambiente da Asevila



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