Portos: ampliação e modernização para vencer obstáculos em 2013

 

Entrevista com Clovis Lascosque

 

Os portos do Estado representam nada menos do que o segundo lugar na arrecadação de tributos federais em 2011. Em 2012 houve uma queda, mas os portos continuam como referência da economia capixaba. E a expectativa para os portos do Estado é grande neste ano que começa. Tivemos mudanças drásticas no Fundap e há uma série de mudanças previstas para a malha portuária capixaba, com a conclusão da dragagem da Baía de Vitória, ampliação de berços de atracação e ainda há incentivos federais a caminho. Vamos saber como ficam os portos do Espírito Santo em 2013, sob o olhar do presidente da Companhia Docas do ES, Clovis Lascosque.


A Codesa está preparada para o fim do Fundap?


Nós acreditamos que com nosso trabalho de investimento em infra-estrutura a gente possa tornar o nosso porto mais competitivo e com isso não 100% com a condição que a gente tinha, mas temos esperança de movimentar grande parte da carga que nós temos principalmente pela eficiência.

 

Os portos da Codesa são eficientes?

 

Os portos da Codesa são sim eficientes, os números mostram isso. Para você chegar ao patamar de segundo colocado, tem que ser eficiente. Obviamente temos limitações, alguns gargalos que nós, bem como o Estado, o governo do Estado e o governo federal estamos atacando para tentar eliminar. Os acessos a nossos terminais portuários, a privatização das rodovias federais, que vai contribuir para melhorar o escoamento dessas mercadorias. O porto é a ponta, o modal portuário é uma das pontas da importação e da exportação. Para que a gente seja eficiente, vários setores também têm que se tornar eficientes. Os órgãos intervenientes, Alfândega, Anvisa, Polícia Federal, operadores portuários. Todos têm que se envolver. Os portos de Santos e do Rio, vai haver um congestionamento lá à medida que os navios que viriam para cá vão para lá. Logicamente que o porto tem uma limitação física. Nós sabemos que não podemos receber navios acima de 242 metros. Mas o governo, em uma iniciativa muito louvável, está fazendo uma gestão junto aos terminais de Praia Mole, para eles receberem navios de 330 metros conteineiros. Isso vai permitir também que o Estado do Espírito Santo seja inserido na rota de navios de longo curso.

 

Quando isso vai acontecer na prática?Já está em vias de negociação. É só ter disponibilidade de atracação. Está bem adiantado e acredito que a partir de janeiro isso vai acontecer.

 

Quando a gente vai ter uma baía dragada completamente?


Somente a dragagem são mais seis meses. Mas a derrocagem é mais demorado. Estimamos, nossa previsão é até o final do ano termos a nossa dragagem e derrocagem concluídas.

 

Isso significa o que na prática para a operação do porto?


115 mil metros cúbicos. É um processo lento demorado porque o porto não para. A empresa responsável pela derrocagem tem apenas seis horas por dia, com segurança, para trabalhar. 18 horas são destinadas a operação portuária. Isso diminui o prazo útil de trabalho a cada dia. Aumenta o prazo de execução. A gente precisa em primeiro lugar asoperações portuárias.

 

 Como está a sinalização noturna para a entrada de navios na baía de Vitória à noite?


Implantamos a nossa sinalização. Ela está 100% implantada, nossa sinalização é um fato real. Nós inclusive estamos tendo uma dificuldade com a dragagem porque nós temos que remover a sinalização, mas não vai comprometer a segurança. Porque a gente remove e coloca aviso aos navegantes. Concluímos a dragagem e depois volta ao local.

Já é possível operar normalmente de noite?Sim, com relação a sinalização sim. Nós não estamos operando em razão do calado. Estamos dragando para melhorar isso. Os navios maiores não entram por falta de calado.

 

Como o senhor avalia o pacote do Governo Federal para os portos do país?


Eu avalio positivamente. É um pacote que abre os portos para a movimentação de mais carga. Aumentar a movimentação de carga com menor custo. Imagina você. Se o meu porto aqui só cabe navio de 242 e você trás um de 330 metros ele só vai atracar no Rio de Janeiro. Então você abre os terminais privativos para receber esse tipo de navio também. Obviamente que tem que passar por um processo de adaptação porque os terminais são especializados em determinado tipo de carga. O navio de contêiner precisa de equipamentos especializados. Praia Mole, por exemplo, foi criado para movimentar carvão, minério. Os equipamentos são diferentes dos necessários para a movimentação de contêiner. Mas é uma medida positiva. Vai eliminar os entraves que existem da lei anterior que limitava os terminais privativos a só movimentarem carga própria.

 

O senhor não acha que faltou avançar um pouco mais?


Não, não faltou. Buscou atingir a todas as necessidades. Obviamente alguém, sai ganhando e alguém sai perdendo. Quem sai ganhando? O Brasil, que pode movimentar. Quem sai perdendo? O trabalhador. Que tem a mão de obra garantida nos terminais públicos e não vão ter garantida nos terminais privativos. Existe um hábito de longos anos que a composição para trabalhar nos porões dos navios é de muitas pessoas. Em determinadas movimentações é muita gente e se você automatiza, fica mais eficiente e precisa de menos mão de obra. E os trabalhadores têm o costume de manter o mercado de trabalho deles mesmo sem precisar.

 

O senhor acha que os portos da Codesa são modernos suficientes para atender a demanda do mercado?

 

Não. Nós não temos aparelhamento. Isso é um desgaste que tivemos ao longo dessa lei 8.630, que determinou que a nossa missão deveria ser a infra-estrutura de acesso , terrestre e interno dos portos. Nossa responsabilidade ficou apenas com isso. Com essa nova lei, que vai abrir os portos para todas as atividades nós vamos competir em desigualdade com a iniciativa privada. Para competir de igual para igual precisamos ou privatizar tudo ou dar condições aos portos públicos de investir na estrutura. Se eu tivesse os mesmos equipamentos que os privados têm, eu competiria em igualdade.

 

E como a Codesa pretende começar a modernizar?


Nós podemos fazer locação de equipamentos. Não precisamos de processo de licitação. Precisamos ter operador disposto a investir e acredito que temos. Nós inicialmente estamos até fazendo um contrato para locação de dois guindastes de 100 toneladas, um para Capuaba e outro aqui para o Porto de Vitória. O que temos aqui tem mais de 40 anos, é um gasto muito elevado de manutenção. E a gente deve começar a operar com eles já no início deste ano.

 

E como será 2013?


Eu tenho bastante esperança. Sei que vai ser um ano melhor, porque vai ser um ano de conclusão de obras, teremos mais um berço para movimentação de carga, vamos ter um calado maior. A gente também tem um terceiro berço que estava parado, estava desalfandegado que agora a gente vai tentar autorização da receita para movimentar granel de ferro gusa. O lucro de R$ 6 milhões vai aumentar. Quero aumentar em 20% a movimentação de carga e 15% na nossa receita. Vamos movimentar mais carga com preço mais baixo. Vamos ter que reduzir tarifas para atrair mais cargas para nosso porto.

 


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